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Rio Grande do Sul é o Estado com maior índice de casos de racismo

Por Jorge Ramos em 09/10/2021 às 08:01:23
Conduta ofensiva de um doutorando da UFRGS repercute nacionalmente. (Foto: EBC)

Conduta ofensiva de um doutorando da UFRGS repercute nacionalmente. (Foto: EBC)

O incidente envolvendo manifesta√ß√Ķes preconceituosas e ofensivas por um doutorando em Filosofia contra um aluno da gradua√ß√£o em Políticas Públicas, ambos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), j√° alcan√ßa repercuss√£o nacional. Ao mencionar o caso em editoral publicado nesta sexta-feira (8), o jornal "O Globo" citou o fato de o Rio Grande do Sul ser o Estado com maior taxa de registros de racismo.

A estatística consta na mais recente edi√ß√£o do relatório anual elaborado por pesquisadores do Fórum Brasileiro de Seguran√ßa Pública (FBSP) e tem por base o número de ocorr√™ncias para cada grupo de 100 mil habitantes. Em 2020, foram 10,8 episódios, mais que o dobro de Rondônia (4,5), segundo colorado, e acima do triplo de Mato Grosso (3).

Santa Catarina, por sua vez, est√° no topo do ranking de injúria racial (39,5 incidentes/100 mil habitantes), seguida pelo Distrito Federal (14,2) e Amap√° (13,3) – os gaúchos figuram bem atr√°s (3,5). H√° que se levar em conta, porém, a subnotifica√ß√£o, ou seja, a grande quantidade de casos que provavelmente n√£o s√£o denunciados formalmente. Os dados podem ser consultados de forma detalhada no site forumseguranca.org.br.

De um a forma genérica, é possível entender a injúria racial no √Ęmbito das ofensas e manifesta√ß√Ķes de preconceito com base na etnia da vítima, diferente do racismo propriamente dito. Esse último se configura n√° discrimina√ß√£o em um processo seletivo de emprego ou quando um negro é barrado na porta de um estabelecimento, por exemplo.

Investigação

Em Porto Alegre, o caso ocorrido em agosto e que veio à tona nesta semana motivou a abertura de investiga√ß√£o pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com a ajuda da comunidade acad√™mica, que enviou cópias de mensagens de ódio racial, apologia à chamada "supremacia branca" e relativa√ß√£o dos crimes cometidos pelo regime nazista que comandou a Alemanha de 1933 a 1945. As denúncias também s√£o apuradas pela Polícia Civil.

O incidente aconteceu quando √Ālvaro K√∂rbes Hauschild, um branco de 29 anos, postou no Instagram um coment√°rio preconceituoso na foto de Sérgio Renato da Silva Júnior com sua namorada Amanda Klimick, ambos 23 anos. Motivo de sua manifesta√ß√£o: ele desaprova o fato de o casal ser formado por um homem negro e uma mulher branca.

Indignados, Sérgio e Amanda resolveram "dar trela" ao doutorando, estimulando-o a falar mais sobre o assunto por meio de conversa privada com ela na mesma rede social. Foi quando √Ālvaro escreveu uma série de observa√ß√Ķes que podem ser definidas como, no mínimo, repugnantes – como a de que pessoas negras "t√™m um cheiro característico".

Em um dos trechos "printados" pelo casal e por colegas, o agora investigado apela para teses j√° desmentidas pela ci√™ncia, como a da suposta superioridade genética dos indivíduos de origem europeia:

"Mulher, te olha no espelho! Tu é bonita, de família¬Ö Merece algo à tua altura. J√° pensou como ser√£o teus filhos? Tu tem ombros fortes, com certeza descende de vikings. Quando as pessoas dizem que voc√™s [ela e o namorado] s√£o "iguais", no fundo sabem que n√£o. Só est√£o tentando esconder a vergonha que tu passa com esse energúmeno".

Uma das reprodu√ß√Ķes de postagens atribuídas ao doutorando em Filosofia, ele evidencia seu pensamento negacionista sobre o extermínio de judeus e outras minorias pelos nazistas antes e durante a Segunda Guerra Mundial (1938-1945):

"O Holocausto é um "holoconto" imposto goela-abaixo aos povos, com um discurso intensamente sentimental e midi√°tico para evitar que se coloque em quest√£o a verdade científica a respeito".

Livros

Fora da esfera acad√™mica e policial, Hauschild foi "cancelado" (utilizado para se referir ao boicote a uma pessoa, entidade ou empresa nas redes sociais, o jarg√£o j√° é utilizado de forma mais ampla, em √Ęmbito social) pela editora paranaense Kotter. A empresa retirou de seu cat√°logo e mandou recolher das lojas o livro de contos "Anamnesine", escrito por ele.

Ele nega ter cometido injúria racial. Em entrevista à imprensa, argumentou que "tudo pode ser distorcido e jogado no ventilador para causar impacto e prejudicar uma pessoa".

O fato é que o conteúdo de diversas de suas postagens n√£o deixa dúvidas quando à promo√ß√£o de ideias identificadas com a extrema-direita. Ele é tradutor, por exemplo, do filósofo ultranacionalista russo Aleksandr Dugin, parceiro do ativista brasileiro Olavo de Carvalho no livro "Os Estados Unidos e a Nova Ordem Mundial".

Fonte: O SUL (Marcello Campos)

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