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Estratégia de combate ao Aedes com larvicida vira política nacional

O Minist√©rio da Sa√ļde editou nota informativa estabelecendo um fluxo para a expansão da estrat√©gia criada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para combate ao mosquito Aedes aegypti, vetor de arborviroses como dengue, zika e chikungunya.

Por REDAÇÃO em 10/07/2024 às 08:52:35

O Ministério da Sa√ļde editou nota informativa estabelecendo um fluxo para a expansão da estratégia criada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para combate ao mosquito Aedes aegypti, vetor de arborviroses como dengue, zika e chikungunya. A expectativa é de que a conversão da medida em pol√≠tica p√ļblica de abrang√™ncia nacional contribua para reduzir as populações dos insetos, sobretudo em cidades maiores.

A estratégia envolve as chamadas estações disseminadoras de larvicidas (EDLs). Trata-se de potes com dois litros de √°gua parada que são distribu√≠dos em locais onde h√° proliferação dos mosquitos. Em busca de um local para depositar seus ovos, as f√™meas se sentem atra√≠das. No entanto, antes de alcançarem a √°gua, elas são surpreendidas por um tecido sintético que recobre os potes e que est√° impregnado do larvicida piriproxifeno. A substância acaba aderindo ao corpo das f√™meas que pousam na armadilha. Dessa forma, elas mesmas levarão o larvicida para os próximos criadouros que encontrarem, afetando o desenvolvimento dos ovos e as larvas ali depositados.

De acordo com a nota informativa 25/2024, editada h√° duas semanas pela Secretaria de Vigilância em Sa√ļde e Ambiente do Ministério da Sa√ļde, o fluxo para a adoção das EDLs envolve cinco etapas: manifestação de interesse do munic√≠pio, assinatura de acordo de cooperação técnica com a pasta e com a Fiocruz, validação da estratégia com a secretaria de sa√ļde do respectivo estado, realização de capacitações com os agentes locais e monitoramento da implementação.

A estratégia dever√° ser expandida gradativamente pelo pa√≠s levando em conta a capacidade dos envolvidos nas tr√™s esferas: nacional, estadual e municipal. Inicialmente, esse trabalho contempla 15 cidades. Elas foram escolhidas com base em alguns critérios: população superior à 100 mil habitantes; alta notificação de casos de dengue, chikungunya e zika nos dois √ļltimos anos; alta infestação por Aedes aegypti; e disponibilidade de equipe técnica operacional de campo.

As EDLs são uma inovação desenvolvida por pesquisadores da Fiocruz que atuam no Laboratório Ecologia de Doenças Transmiss√≠veis na Amazônia (EDTA). Estudos para avaliar a estratégia começaram a ser financiados pelo Ministério da Sa√ļde em 2016, quando a pasta passou a buscar novas possibilidades para o controle das populações de Aedes aegypti em meio à ecolosão de uma epidemia de zika. Testes realizados até 2022 em 14 cidades brasileiras, de diferentes regiões do pa√≠s, registraram bons resultados.

De acordo com os pesquisadores, as fêmeas visitam muitos criadouros, colocando poucos ovos em cada um. Os estudos mostraram que aquelas que pousam na armadilha, acabam disseminando o larvicida em um raio que pode variar entre 3 e 400 metros.

Os pesquisadores consideram que a estratégia permite superar algumas barreiras enfrentadas por outros métodos de combate às populações de mosquitos. Como é o próprio inseto que propaga o larvicida, é poss√≠vel alcançar criadouros situados em locais inacess√≠veis e indetect√°veis, como dentro de imóveis fechados e em √°reas de dif√≠cil acesso nas comunidades com urbanização prec√°ria. A estratégia também se mostrou prop√≠cia para galpões de catadores de materiais recicl√°veis, onde h√° muitos recipientes com condições de acumular √°gua parada que nem sempre são facilmente encontrados.

Novas tecnologias

As EDLs j√° haviam sido citadas no ano passado em outra nota informativa do Ministério da Sa√ļde que recomendou a adoção de cinco novas tecnologias no enfrentamento às arboviroses em munic√≠pios acima de 100 mil habitantes. Foram mencionadas também mais quatro tecnologias. Para monitoramento da população de mosquitos, recomenda-se o uso das ovitrampas. Trata-se de armadilhas voltada para a captura dos insetos, permitindo avaliar de tempos em tempos se houve aumento ou redução nas populações presentes em cada √°rea.

A borrifação residual intradomiciliar, que envolve aplicação de inseticida, é indicada quando h√° grande infestação em imóveis especiais e de grande circulação de pessoas, como escolas, centros comunit√°rios, centros de sa√ļde, igrejas e rodovi√°rias. J√° a técnica do inseto estéril por irradiação (TIE) pressupõe a liberação de grande n√ļmero de mosquitos machos estéreis que, ao copularem com as f√™meas, produzirão ovos infecundos.

Por fim, também é recomendado o uso do Método Wolbachia, cuja implantação no Brasil vem sendo estudada desde 2015 também sob coordenação da Fiocruz. Originado na Austr√°lia e presente em diversos pa√≠ses, ele envolve a introdução nos insetos de uma bactéria capaz de bloquear a transmissão dos v√≠rus aos seres humanos durante a picada.

De acordo com a nota informativa publicada no ano passado, a implantação dessas tecnologias exigem um plano de ação municipal e uma definição das √°reas priorit√°rias, a partir da prévia identificação das caracter√≠sticas epidemiológicas e socioambientais de cada território. "Cabe destacar que as metodologias podem ser combinadas entre si, considerando os cen√°rios complexos de transmissão das arboviroses e seus determinantes, objetivando maior efetividade e melhores resultados", acrescenta o texto.

A implementação das novas tecnologias não pressupõe o abandono das intervenções tradicionais, que dependem não apenas da mobilização de agentes p√ļblicos como também demandam a cooperação da população. Conforme a nota, as ações de educação visando à eliminação do ac√ļmulo de √°gua parada no interior dos imóveis, bem como as visitas dos órgãos sanit√°rios para identificar focos, continuam sendo consideradas essenciais.

Fonte: Agência Brasil

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