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Governo faz pacto para alfabetizar brasileiros com mais de 15 anos

"Hoje eu sou uma mulher de luta e de letras!", assim a octogen√°ria Sebastiana Campos resumiu a nova etapa da sua vida.

Por REDAÇÃO em 06/06/2024 às 21:09:48

"Hoje eu sou uma mulher de luta e de letras!", assim a octogen√°ria Sebastiana Campos resumiu a nova etapa da sua vida. Nascida na cidade maranhense de Graj√°u, Sebastiana, desde cedo, perdeu a infância devido à necessidade de auxiliar os pais no trabalho rural. Uma vida dura, com caminhadas di√°rias de v√°rios quilômetro a caminho da roça onde a fam√≠lia conseguia o sustento. Poucos anos depois, como milhões de brasileiros, migrou para a Região Sudeste em busca de melhores condições de vida. Sebastiana contou sua história nesta quinta-feira (6) durante o lançamento do Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da Educação de Jovens e Adultos (EJA), em Bras√≠lia

J√° no Rio de Janeiro, Sebastiana trabalhou como empregada doméstica, casou, teve filhos, netos e bisnetos. Aos 82 anos, resolveu que iria realizar o sonho de criança, da pequena criança que acordava cedo e caminhava pela estrada de terra batida do seu povoado para se dirigir à escola. No caminho, cantava canções e até imagina um futuro melhor, distante do √°rduo trabalho enfrentado no dia a dia. Esse futuro "sonhado" não se concretizou e Sebastiana virou estat√≠stica como um dos milhões de brasileiros que não sabe ler nem escrever.

De acordo com o Censo Demogr√°fico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat√≠stica (IBGE), cerca de 11,4 milhões de brasileiros com mais de 15 anos não estão alfabetizados. Dentre os brasileiros desta faixa et√°ria, 10,1% dos que não sabem ler nem escrever são pretos, 8,8% são pardos, enquanto os brancos são 4,3%.

Entre os que estão na Educação de Jovens e Adultos, mais de 57 milhões estão no meio urbano (79,3%); e 15 milhões, no meio rural (20,5%). Apesar dessa enorme demanda por vagas, ainda h√° 1.008 munic√≠pios que não ofertam educação de jovens e adultos, segundo o Censo Escolar 2023.

A realidade de Sebastiana começou a mudar quando, aos 82 anos, ela se matriculou na Educação de Jovens e Adultos (EJA), no ano passado, mais precisamente em São Cristóvão, no Rio de Janeiro.

"Hoje, com meus oitenta anos, ganho um sal√°rio m√≠nimo e estou com todo mundo l√° em casa crescido. Então, eu voltei a lembrar de mim, fui atr√°s de mim, a menina na estrada que um dia ia para a escola. Agora sou estudante e agradeço a oportunidade de hoje poder estar realizando o meu projeto de estudo e digo que nunca é tarde para realizar sonhos", disse Sebastiana.

Moradora da periferia de Recife (PE), mãe solo, com dois filhos, sem formação ou profissão, Alexandra Patr√≠cia de Melo, 29 anos, teve que largar os estudos ainda no começo da adolesc√™ncia devido a uma gravidez não planejada. Além da gravidez, o machismo estrutural também contribuiu para interromper o caminho de estudos da jovem, j√° que seu companheiro à época a proibia de frequentar a escola.

"Essas duas situações vividas me negaram a possibilidade de continuar os estudos. Por conta dessa trajetória não consegui construir uma carreira, nem ter uma profissão para poder levar o sustento para minha fam√≠lia, que depende de mim. Em 2023, entrei no Projovem urbano, que representou para mim uma oportunidade de mudar meu contexto de vida. Diferente da minha mãe que é analfabeta e trabalhou grande parte da vida dela em casa de fam√≠lia, busco no futuro o melhor para mim e meus filhos", contou a jovem durante o evento.

Destinado a estudantes entre 18 e 29 anos que saibam ler e escrever, mas que não conclu√≠ram o ensino fundamental, o Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Projovem) tem o por objetivo elevar a escolaridade, aliando à conclusão dessa etapa a qualificação profissional e ao desenvolvimento de ações comunit√°rias com exerc√≠cio da cidadania.

"Isso, sem d√ļvida, representa um diferencial para as mulheres como eu, que batalham por um futuro melhor", disse Alexandra. "Se hoje estou lendo o mundo, escrevendo a minha própria história, foi porque houve politicas como essas, que levaram a muitos jovens, adultos e idosos a possibilidade de rescrever a sua vida" completou.

Compromisso

A meta do pacto é superar o analfabetismo e elevar a escolaridade da população a partir de 15 anos de idade que não tenha acessado ou conclu√≠do o ensino fundamental e médio. A medida prev√™ a colaboração entre munic√≠pios, estados e Distrito Federal para oferta de ensino de qualidade, com m√ļltiplas metodologias e abordagens, além de disponibilidade de recursos did√°ticos coerentes com o p√ļblico do EJA.

Durante o lançamento do pacto, a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi) do Ministério da Educação (MEC), Zara Figuereido, a medida representa uma reparação histórica, especialmente para a população pobre e negra das regiões Norte e Nordeste.

"O pacto representa uma d√≠vida histórica, moral e ética com a população mais pobre, mais preta e mais regionalmente marcada, nordestina e nortista", disse Zara, cuja mãe, analfabeta e apelidada de Nigrinha, é a personagem central do v√≠deo de divulgação do Pacto.

Para o ministro da Educação, Camilo Santana, o pacto representa a compreensão federativa para enfrentar esse o desafio que é garantir a educação de jovens e adultos.

"Queremos por meio desse pacto atacar as frentes do analfabetismo e baixa escolaridade e queremos que isso aconteça nos dois casos o quanto for poss√≠vel integrado à educação profissional", disse o ministro.

Segundo o MEC, a iniciativa vai ofertar 3,3 milhões de novas matr√≠culas da educação de jovens e adultos nos sistemas p√ļblicos de ensino (inclusive entre os estudantes privados de liberdade), assim como da oferta integrada à educação profissional.

O Programa Brasil Alfabetizado (PBA) ser√° retomado com a oferta de 900 mil vagas para estudantes e de 60 mil bolsas para educadores populares. Criado em 2003, o PBA oferta a alfabetização para pessoas com mais de 15 anos com flexibilidade e diversidade dos locais de funcionamento e dos hor√°rios das aulas. As turmas podem ser instaladas em espaços da comunidade, facilitando o acesso ao programa para os jovens, adultos e idosos que não sabem ler e escrever.

"O analfabetismo tem cor, raça e est√° marcado regionalmente, a maioria é negra, est√° na zona rural e são nordestinos.", ressaltou Santana.

Fonte: Agência Brasil

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