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RS: doenças com sintomas semelhantes exigem triagem no atendimento

Os sintomas frequentes em v├írios tipos de doença como infecções, febre e dores no corpo exigem reforço da triagem dos pacientes, realizada pelos profissionais de sa├║de no Rio Grande do Sul, por causa dos efeitos das enchentes.

Por REDAÇÃO em 02/06/2024 às 09:18:20

Os sintomas frequentes em v├írios tipos de doença como infecções, febre e dores no corpo exigem reforço da triagem dos pacientes, realizada pelos profissionais de sa├║de no Rio Grande do Sul, por causa dos efeitos das enchentes. A recomendação é do pesquisador do Instituto de Comunicação e Informação Cient├şfica e Tecnológica em Sa├║de da Fundação Oswaldo Cruz (Icict/Fiocruz), Cristóvão Barcelos.

"Pode ser covid, gripe, leptospirose, doença respiratória, intoxicação. Nessas horas é muito importante a triagem para saber exatamente qual o tratamento e separar caso grave do mais leve para também não sobrecarregar hospitais. É um momento que exige dos profissionais de sa├║de muita sabedoria e do sistema de sa├║de uma readequação", afirmou Barcelos em entrevista à Ag├¬ncia Brasil.

Ele lembrou que o Centro de Operações de Emerg├¬ncia em Sa├║de (COE), no qual atua como representante da Fiocruz, recomendou serviços de telessa├║de que podem ser usados pela população para esclarecer d├║vidas e o estabelecimento de consultorias destinadas à solução de d├║vidas de profissionais de sa├║de, como j├í ocorre na ├írea de sa├║de mental.

Segundo o Ministério da Sa├║de, "o COE é o respons├ível pela coordenação das ações de resposta às emerg├¬ncias em sa├║de p├║blica, incluindo a mobilização de recursos para o restabelecimento dos serviços de sa├║de e a articulação da informação entre as tr├¬s esferas de gestão do SUS [Sistema ├Ünico de Sa├║de]".

Em consequ├¬ncia das enchentes, muitas pessoas ficaram desabrigadas e desalojadas e acabaram perdendo receitas de medicamentos que precisam tomar regularmente. De acordo com o pesquisador, nessa situação o COE flexibilizou a obrigatoriedade de receitas para alguns casos.

"Muita gente perdeu receita, mas precisa do medicamento, às vezes para controlar hipertensão ou um medicamento psiqui├ítrico. O sistema de sa├║de precisa ter uma flexibilização para atender a essas pessoas. Também foi uma decisão do COE", destacou, ressaltando que em muitos casos é poss├şvel também comprovar o uso frequente do medicamento por meio do histórico do paciente.

Kits

O secret├írio de Atenção Prim├íria à Sa├║de e coordenador do Centro de Operações de Emerg├¬ncia em Sa├║de (COE), Felipe Proenço, informou que dentro das demandas do Rio Grande do Sul para os atendimentos médicos, o Ministério da Sa├║de enviou ao estado 100 kits para situações de calamidade, que, segundo ele, t├¬m quantidade significativa de medicamentos.

"Podem fazer o atendimento a cada kit de até 3 mil pessoas. Inicialmente, foram demandados 100 kits para os serviços de sa├║de e que prontamente foram atendidos. J├í foram demandados mais 30 kits que foram providenciados. Como é bastante dinâmico o cen├írio aqui, a gente visitou diversas ├íreas de deslizamento de terra e abrigos também, então temos a noção e caso surjam novas demandas o Ministério da Sa├║de est├í presente junto com as ações dos v├írios ministérios para responder", disse o secret├írio, que tem feito visitas frequentes ao estado

Pontos de atendimento

Conforme Proenço, onde a ├ígua j├í baixou as secretarias municipais de Sa├║de t├¬m buscado o funcionamento, sempre entendendo também a situação dos trabalhadores de sa├║de que tiveram perdas e não conseguem se deslocar em consequ├¬ncia de vias ainda bloqueadas.

"Essa etapa, que chamamos de reconstrução, vai passar pela avaliação. Estive em uma unidade b├ísica de Caxias do Sul em que todos os equipamentos foram danificados e h├í uma avaliação se a estrutura não est├í comprometida. Ainda depende dessa avaliação para saber se é necess├írio construir nova unidade ou se é poss├şvel reformar e aproveitar a estrutura j├í existente".

O secret├írio afirmou que o processo de reconstrução ainda est├í em fase de avaliação e levantamento das necessidades. Proenço destacou que o Ministério da Sa├║de est├í presente também com o Invest SUS, para receber propostas de reforma ou aquisição de equipamentos.

"É por isso também que do ponto de vista da assist├¬ncia estamos apoiando com a Força Nacional do SUS com hospitais de campanha e profissionais que estão vindo de todo o pa├şs. Acho que é uma situação muito importante para apoiar, j├í que h├í dificuldades com os trabalhadores [da sa├║de] daqui, mas temos buscado retomar o cuidado com as pessoas e os atendimentos o mais cedo poss├şvel", afirmou.

Proenço disse ainda que a presença da pasta no estado permite diminuir dificuldades de comunicação que os gestores locais possam enfrentar diante da situação emergencial. Citou a ministra da Sa├║de, N├şsia Trindade, que tem ido ao Rio Grande do Sul com frequ├¬ncia.

"Estamos com agenda intensa de visitas aos munic├şpios, às unidades b├ísicas de Sa├║de e hospitais, exatamente, para não só documentar, mas presenciar as necessidades. Isso tem sido fundamental no plano de ações que o ministério vem desenvolvendo dentro das etapas necess├írias de reconstrução", contou, acrescentando que vai continuar com as visitas durante todo o m├¬s de junho.

Segundo a chefe da Seção de Imunização da Secretaria de Sa├║de do Rio Grande do Sul, Eliese Denardi Cesar, em alguns munic├şpios com dif├şcil acesso por causa de vias obstru├şdas, houve necessidade de usar helicópteros para o envio de vacinas, além de providenciar câmaras de conservação dos imunizantes para as cidades que perderam os equipamentos. "A gente vai organizando, essa que chamamos de rede de frio, nos locais onde as vacinas precisam ficar acondicionadas".

AVC

Para o pesquisador da Escola Nacional de Sa├║de P├║blica da Fiocruz, Carlos Machado, também indicado pela instituição como integrante do COE, é natural ter preocupação com as doenças relacionadas à ingestão de ├ígua contaminada como a hepatite A, a leptospirose e doenças diarreicas agudas de modo geral, mas não se pode descartar a atenção a um aumento de doenças crônicas, entre elas o AVC como ocorreu em Santa Catarina em 2008.

"As pessoas saem de casa muitas vezes em fuga r├ípida. Os estabelecimentos de sa├║de deixam de funcionar, então h├í uma descontinuidade de tratamentos de doenças crônicas como hipertensão, diabetes e tantas outras, contribuindo para que mais pessoas se tornem suscet├şveis à elevação e ao agravamento de doenças crônicas, entre elas as internações por AVC. São objeto também de preocupação porque t├¬m uma descontinuidade".

Outra preocupação apontada por Machado é com relação aos cuidados psicossociais e de sa├║de mental. Ele lembrou que h├í muitas pessoas em abrigos que perderam casas e tiveram sua vida desestruturada. "Isso gera grande desestabilização no quadro de sa├║de, de modo geral. Pode também contribuir para agravar as doenças crônicas e os quadros de sa├║de mental. Esse cuidado também é necess├írio nos abrigos, principalmente, e não somente", observou.

"O quadro geral, do ponto de vista da sa├║de, é bastante preocupante porque tivemos muitos serviços de sa├║de e unidades b├ísicas comprometidos. Chegou a quase dois terços das unidades de sa├║de, mais de 200 hospitais e unidades de Pronto-Atendimento (Upas). Os profissionais de sa├║de nessas regiões e ├íreas, em muitos locais, foram também afetados. H├í redução e comprometimento da força de trabalho e também das instalações, não só de sa├║de p├║blica, mas também nos serviços privados", disse o pesquisador.

Fonte: Agência Brasil

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