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Alagamentos podem provocar novos casos de dengue no Rio Grande do Sul

Mesmo não sendo, em princ√≠pio, um per√≠odo prop√≠cio à explosão de casos de dengue por estar com temperaturas mais baixas, a atenção com a doença √© mais uma na lista de preocupações das autoridades de sa√ļde em consequ√™ncia das chuvas intensas e dos alagamentos que v√™m ocorrendo no Rio Grande do Sul.

Por REDAÇÃO em 15/05/2024 às 09:28:19

Mesmo não sendo, em princ√≠pio, um per√≠odo prop√≠cio à explosão de casos de dengue por estar com temperaturas mais baixas, a atenção com a doença é mais uma na lista de preocupações das autoridades de sa√ļde em consequ√™ncia das chuvas intensas e dos alagamentos que v√™m ocorrendo no Rio Grande do Sul. Os casos costumam ocorrer no verão, mas, segundo o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Cristóvão Barcelos, também podem aparecer em maio, no per√≠odo chamado de veranico, quando as temperaturas se elevam.

"O Rio Grande do Sul tem o famoso veranico de maio – todo ga√ļcho fala isso. E costuma ser um per√≠odo de calor. A temperatura baixa em abril, mas, em maio, estamos em regime de El Ni√Īo – não sei se vai acontecer este ano, mas é quase um tempo histórico de clima l√° no Sul, muito comum. É o que eles chamam de veranico, uma pequena onda de calor j√° quando deveria ter frio", disse Barcelos à Ag√™ncia Brasil.

Além disso, h√° possibilidade de ocorrerem novas ondas de calor, como j√° se viu na região. "Nesse quadro todo de calamidade, [com] perda de serviço e de abastecimento de √°gua, de quebra da infraestrutura urbana, se houver uma onda de calor nas próximas semanas, pode acontecer um grande surto de dengue", afirmou o pesquisador. Segundo ele, isso pode acontecer em outros estados, porém, no Rio Grande do Sul, a situação torna-se mais grave, porque a infraestrutura do estado foi extremamente prejudicada.

"Seria terr√≠vel. Pior do que os outros estados, que estão mais ou menos com a infraestrutura urbana intacta. Eles [ga√ļchos] estão com tudo destru√≠do. Imagina, como vai eliminar foco com uma situação dessa? Os agentes estão trabalhando em outras coisas. As pessoas não podem mais cuidar do seu quintal, do lixo acumulado. Muita coisa virou lixo, uma geladeira quebrada – tudo isso pode se transformar em local de foco do mosquito, se houver uma onda de calor", observou.

Barcelos acrescentou que os ovos do mosquito Aedes aegypti t√™m capacidade de resist√™ncia muito grande ao frio, ficam cristalizados nas paredes de diversos recipientes e, se tiverem contato com uma √°gua mais quente e parada, eclodem e chegam à fase adulta e começam a voar.

De acordo com a Secretaria de Sa√ļde do Rio Grande do Sul, nos √ļltimos anos, casos de dengue t√™m sido confirmados em todo o per√≠odo de inverno, inclusive nas semanas mais frias. "Costumamos dizer que o inverno é um per√≠odo de baixa transmissão em relação ao verão, mas não podemos baixar a guarda diante de baixas temperaturas, pois sabemos que temos 468 munic√≠pios infestados e teremos muitos munic√≠pios com ac√ļmulo de entulhos e poss√≠veis criadouros", respondeu a secretaria à Ag√™ncia Brasil.

Água suja

Atualmente, o Aedes aegypti não prolifera somente em √°guas limpas, diz Cristóvão Barcelos, pesquisador da Fiocruz - Gustavo Mansur/Pal√°cio Piratinitype="_moz" />

Atualmente, o Aedes aegypti não prolifera somente em √°guas limpas e, além disso, a decantação da √°gua parada dos alagamentos pode ser ambiente prop√≠cio ao aparecimento dos mosquitos, destacou Barcelos, que é integrante do Observatório de Clima e Sa√ļde da Fiocruz e representante da instituição no Centro de Operações de Emerg√™ncia em Sa√ļde, respons√°vel pela coordenação das ações de resposta às emerg√™ncias em sa√ļde p√ļblica, incluindo a mobilização de recursos de v√°rios órgãos para o restabelecimento dos serviços de sa√ļde e articulação da informação entre as tr√™s esferas de gestão do Sistema √önico de Sa√ļde (SUS).

"Uma geladeira abandonada, cheia de √°gua barrenta no começo, depois vai decantando e as part√≠culas se depositam no fundo e a √°gua fica limpa com oxig√™nio, nutrientes, com tudo o que o mosquito precisa. Ao entorno dali, tem pneu largado, tem carro abandonado, tem m√°quina de lavar, o lixo que foi gerado pela própria calamidade", ressaltou o pesquisador, lembrando que, nas regiões de √°guas correntes, não h√° proliferação do mosquito.

O presidente da Sociedade Ga√ļcha de Infectologia e chefe do Serviço de Infectologia da Santa Casa de Porto Alegre, Alessandro Pasqualotto, disse que, antes das enchentes, o Rio Grande do Sul j√° enfrentava uma epidemia de dengue sem precedentes. Pasqualotto também se preocupa com o aumento dos casos após o término dos alagamentos. "A √°rea alagada é muito grande, e o mosquito j√° estava presente no nosso estado. Os diagnósticos ficaram prejudicados neste per√≠odo, mas os casos de dengue estão, sim, acontecendo e devem aumentar em sequ√™ncia com essa √°gua empoçada e o calor voltando.

De acordo com Pasqualotto, neste momento, ainda que é dif√≠cil fazer uma projeção do n√ļmero de casos. "No somar das vari√°veis, é muito poss√≠vel que a dengue aumente, então, é uma doença esperada", afirmou.

N√ļmeros

A Secretaria Estadual de Sa√ļde informou que, até segunda-feira (13), o Rio Grande do Sul tinha 116.517 confirmados de dengue, 38.463 descartados e 31.931 ainda em investigação. O n√ļmero de óbitos confirmados pela doença era de 138. "Antes das inundações, o estado ainda estava em elevação de casos com tend√™ncia à estabilização", completou.

A pasta se diz atenta a novos casos, que poderão surgir após a √°gua das enchentes baixar e os criadouros com √°gua parada virem à tona. "Estamos monitorando, e principalmente orientando os munic√≠pios para estarem atentos aos primeiros sintomas, j√° que a limpeza urbana não poder√° ser feita imediatamente em todo o estado pela magnitude do desastre. Dessa forma, ter a rede assistencial sens√≠vel para detectar os casos ser√° fundamental. Estamos em contato com o Ministério da Sa√ļde para garantir também os estoques de kits para testagem dos [casos] suspeitos."

A técnica Carmem Gomes, do Programa Estadual de Vigilância e Controle do Aedes aegypti, informou que o controle do vetor est√° suspenso, diante da total incapacidade de operacionalizar qualquer tipo de ação neste momento. Porém, quando as √°guas baixarem, e os res√≠duos começarem a surgir, a atenção deve se voltar para o recolhimento dos depósitos para eliminação dos criadouros e para que não permaneçam resqu√≠cios de √°gua.

Carmen recomendou que, nas √°reas onde j√° se sabia que a infestação estava alta, as pessoas continuem com as ações preventivas, "no m√≠nimo, com o uso de repelente".

Fonte: Agência Brasil

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