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Entidades m√©dicas recomendam vacinação de v√≠timas e socorristas no RS

A Sociedade Brasileira de Imunizações, a Sociedade Brasileira de Infectologia e a Sociedade Ga√ļcha de Infectologia divulgaram neste s√°bado (11) uma nota t√©cnica recomendando a vacinação de v√≠timas das enchentes no Rio Grande do Sul e das equipes que trabalham nas operações de busca e salvamento em todo o estado.

Por REDAÇÃO em 11/05/2024 às 19:39:27

A Sociedade Brasileira de Imunizações, a Sociedade Brasileira de Infectologia e a Sociedade Ga√ļcha de Infectologia divulgaram neste s√°bado (11) uma nota técnica recomendando a vacinação de v√≠timas das enchentes no Rio Grande do Sul e das equipes que trabalham nas operações de busca e salvamento em todo o estado.

"Devido à exposição à √°gua de enchentes, a população exposta e os socorristas estão em risco aumentado de doenças infecciosas de transmissão h√≠drica ou ambiental, além de mordedura de animais, traumatismos diversos, contaminação de feridas por lama ou √°gua contaminada, e doenças de transmissão respiratória por aglomeração de pessoas. V√°rias dessas doenças podem ser evitadas ou prevenidas por meio da vacinação."

Confira as principais recomendações listadas pelas entidades:

Carteira de vacinação

Crianças, adolescentes, adultos, idosos, gestantes e pacientes com comorbidades ou imunossupressos que tenham a carteira de vacinação dispon√≠vel somente devem completar doses não realizadas para a faixa et√°ria ou conforme a situação cl√≠nica.

J√° crianças, adolescentes e adultos que não tenham a carteira vacinal dispon√≠vel e, portanto, sem registro formal de vacinação, devem ser considerados não vacinados para as doses recomendadas.

Vacinas de rotina

Para vacinação de rotina em per√≠odos de enchentes, crianças e adolescentes sem registro de vacinação devem ser tratados como se estivessem em dia com as vacinas e receber somente as doses indicadas para a idade atual.

As fam√≠lias devem ser informadas sobre a necessidade de comparecer posteriormente a uma unidade de sa√ļde para avaliação da carteira e da necessidade ou não de atualizar sua vacinação.

Gestantes

Mulheres gr√°vidas devem receber vacinas inativadas especialmente indicadas para pessoas deslocadas por desastres e enchentes, desde que não contraindicadas para esse grupo.

Contraindicações

Gestantes, pessoas imunocomprometidas ou em uso de drogas imunossupressoras não devem receber vacinas virais vivas atenuadas como a dose contra a varicela, a tr√≠plice viral (contra sarampo, rubéola e caxumba), a tetra viral (contra sarampo, rubéola, caxumba e varicela), a dose contra a febre amarela e a contra a dengue.

Crianças em condições de imunossupressão também não devem receber as doses contra o rotav√≠rus e a poliomielite oral. A triagem, segundo as entidades, deve ser realizada por autorrelato.

Soros

Soros e imunoglobulinas devem ser usados em casos de necessidade de proteção imediata contra a raiva e o tétano, ou seja, quando não é poss√≠vel esperar o tempo necess√°rio para que o indiv√≠duo responda às doses produzindo anticorpos. Também são indicados para gestantes e indiv√≠duos imunocomprometidos no caso de contraindicação às vacinas vivas atenuadas.

BCG

A vacina BCG, que previne contra as formas graves da tuberculose, não deve ser administrada fora da unidade de sa√ļde, j√° que necessita de profissional capacitado para a aplicação, evitando eventos adversos graves. Idealmente, deve ser feita após o nascimento, ainda no ambiente hospitalar.

Aplicação concomitante de vacinas

A aplicação concomitante de vacinas pode ser feita desde que em locais distintos do corpo. É preciso, entretanto, se atentar a especificações de intervalo, dependendo da combinação de doses.

A vacina contra a dengue, viva atenuada, por exemplo, não deve ser aplicada no mesmo dia que qualquer outra vacina. A orientação é respeitar 24 horas de intervalo para doses inativadas e 30 dias para as vivas atenuadas.

Gripe e covid-19

Todas as pessoas com 6 meses ou mais v√≠timas de enchentes ou que trabalham em operações de busca e salvamento devem receber a vacina contra a gripe e contra a covid-19 – exceto aquelas com contraindicações.

De acordo com o documento, as doses são importantes para evitar surtos em abrigos. "No entanto, ambas passam a ter sua efic√°cia cerca de duas semanas após sua aplicação e, portanto, outros cuidados, para mitigar a transmissão desses v√≠rus respiratórios devem ser adotadas."

Tríplice viral

A vacina contra o sarampo, a rubéola e a caxumba deve ser aplicada em todas as pessoas entre 12 meses e 59 anos de idade v√≠timas de enchentes ou que trabalham nas operações de busca e salvamento, exceto aquelas com contraindicações para a dose ou que tenham o registro documentado na carteira de vacinação.

As doses também são consideradas importantes para evitar surtos em abrigos e são recomendadas para todos que não estejam vacinados com pelo menos com uma dose.

Hepatite A

Desde 2014, a vacina contra a hepatite A é recomendada idealmente para todas as crianças aos 12 meses de vida ou até os 5 anos, se ainda não vacinadas. A dose também é disponibilizada para pacientes imunodeprimidos e pessoas com doenças crônicas especificas.

No caso do Rio Grande do Sul, a indicação se deve ao risco de surtos durante e após per√≠odos de enchentes, quando h√° "alto risco de exposição ao v√≠rus".

Tétano

No Rio Grande do Sul, adolescentes, adultos e idosos devem receber uma dose de reforço antitetânico se não tiverem sido vacinados contra o tétano nos √ļltimos cinco anos ou se não tiverem a carteira de vacinação dispon√≠vel.

As vacinas dT (tétano/difteria) ou dTpa (tétano/difteria/coqueluche acelular) podem ser usadas de acordo com as recomendações do Programa Nacional de Imunizações – dTpa para gr√°vidas a partir de 20 semanas de gestação e dT para adolescentes, adultos e idosos. Na falta de dT, a dTpa pode ser usada.

Crianças sem a carteira de vacinação contendo o componente tetânico (penta, DTP, DTPa ou DT) devem ser vacinadas com DTP ou DTPa.

"Em situações de inundação, o contato com √°gua e objetos contaminados pode aumentar o risco de feridas e cortes, aumentando o risco de tétano. Por isso, é importante assegurar que todos estejam com a vacinação antitetânica atualizada, especialmente se estiverem envolvidos em trabalhos de resgate, limpeza ou reconstrução."

Raiva

A vacina antirr√°bica só deve ser usada para profilaxia pós-exposição em caso de acidente de risco para a raiva – por exemplo, após mordida de animal mam√≠fero, inclusive cavalos e gado, ou após exposição a morcego.

O esquema pode incluir uma série de doses da vacina e também o uso de soro antirr√°bico e deve ser administrado o mais brevemente poss√≠vel. "Em caso de desastres ambientais, resgates e a conviv√™ncia com animais domésticos ou não, o risco de acidentes de risco para a raiva tem maior chance de ocorrer".

"O uso de imunizante contra a raiva não deve ser feito de rotina, nem mesmo para aqueles envolvidos nos regastes. Seu uso deve ser restrito para casos de acidentes de risco para a raiva, conforme protocolo usual para essa situação médica. Recomendar que pessoas nessas situações de risco procurem imediatamente um serviço de sa√ļde para avaliação."

Hepatite B

Todos os envolvidos em resgates, profissionais da sa√ļde, socorristas e volunt√°rios devem receber a vacina. A indicação de doses depende da situação vacinal – pessoas sem registro na carteira de vacinação de doses aplicadas ou não vacinadas devem receber uma dose e retornar à unidade de sa√ļde para continuidade, se for o caso.

Pessoas com registro na carteira de vacinação de esquema incompleto devem dar continuidade, respeitando os intervalos m√≠nimos entre as doses (0-2-6 meses), até a √ļltima dose.

Pessoas imunocompetentes adequadamente vacinadas com tr√™s doses não deve ser vacinadas.

Pessoas imunossuprimidas, como as que que vivem com HIV, independente do CD4; portadoras de doença hep√°tica crônica; renais crônicas; com câncer; transplantadas de órgãos ou células hematopoiéticas; com doenças inflamatórias imunomediadas tratadas com imunossupressores potentes, entre outras devem receber uma dose de reforço da vacina.

"A imunização contra a hepatite B est√° recomendada para os respondedores, uma vez que estarão potencialmente expostos ao cuidado com pacientes e situações de contato com fluidos corporais. A maior parte dos profissionais j√° deve ter recebido essa vacina, uma vez que é exigida para profissionais de sa√ļde, bombeiros, militares, etc. O esquema de vacinação é de tr√™s doses da vacina (0, 2 e 6 meses)."

Febre tifoide

A vacinação contra febre tifoide é recomendada para socorristas, se dispon√≠vel, e deve ser aplicada uma dose.

Fonte: Agência Brasil

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